domingo, 27 de setembro de 2009

Doces ou travessuras à brasileira e memória da infância

“Doces  ou travessuras” é  uma  frase  proferida  pelas   crianças norte-americanas durante os festejos de  Halloween em  31 de outubro.   No Brasil, as   crianças  correm  atrás de  doces  em 27 de  setembro, dia dos   santos gêmeos Cosme e Damião, e   o  fazem com  muita  travessura. Crianças brasileiras e  americanas _ cada  uma na  época  determinada  por  sua cultura_ batem na porta  dos  vizinhos em  busca de  doces  saborosos e em  meio a muitas  brincadeiras.


Confesso que  eu havia  me  esquecido da data, mas  ontem passei  por  uma  mãe que repreendia  o  filho com  a seguinte  frase: “Se  você   não  entrar logo  pra almoçar, amanhã  não  deixo correr atrás de doce!”; o menino   fez  cara de  choro, mas  entrou  em casa correndo. Eu  nunca  corri  atrás de  doce (expressão  muito  usada  aqui no  Rio de  Janeiro nessa época  do ano), pois  minha   mãe  nunca  deixou. Ela   não  deixava e  eu não  precisava uma  vez que  meu  avô  fazia   uma  festa enorme  no  quintal de casa. Lembro exatamente como  era: minha tia preenchia os  convites e os distribuía  entre  a  meninada do bairro;  meu avô  comprava  um monte de  brinquedo (bolas, carrinhos, bonecas, jogos) roupas e sapatos em  quantidade  suficiente para  encher um  cômodo da casa.


Quando a  garotada chegava,  encontrava  uma  grande mesa enfeitada como  se  houvesse uma  festa de aniversário: bolo confeitado, docinhos de festa, refrigerantes, além  dos  tradicionais  saquinhos de  doce  contendo pé de moleque,  maria mole,  doce de abóbora, suspiro, doce  de leite,  bala  de coco…  Quando comecei  a  escrever esse  texto, perguntei à minha  mãe  se ela  lembrava o número de  crianças, pois, olhando uma foto  antiga,  eu pensei  em  aproximadamente cinquenta. Ela  respondeu que aquelas eram as  crianças  conhecidas; as “desconhecidas”   praticamente derrubavam  o portão para  participar  da festa também, o  que  fazia  esse número crescer  muito. Na  hora  de  ir embora,  cada um ganhava  seu saquinho de  doces, seu presente e todo  mundo ficava  feliz.



Em 27 de  setembro de  2008, eu   também  escrevi sobre  a  festa de  São  Cosme e São  Damião, mas  sob  o ponto de vista  religioso: por que comemoramos  essa  data? Quem eram  Cosme e  Damião? Como  se  deu  o sincretismo  religioso associado à data? Leia  Infância e  religião: Cosme e  Damião.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dia do rádio

Nós somos as cantoras do rádio
Levamos a vida a cantar
De noite embalamos teu sono
De manhã nós vamos te acordar
Nós somos as cantoras do rádio
Nossas canções cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
Corações de norte a sul

(Cantoras do rádio – Lamartine  Babo)


Hoje, dia   25  de  setembro, é  o Dia  do Rádio. A  data   foi escolhida   por  ser aniversário de Edgar Roquette-Pinto, principal  incentivador   dessa  tecnologia  no Brasil.


A primeira   transmissão de  rádio no Brasil  ocorreu  em 1922 durante o  discurso de posse do  presidente Epitácio Pessoa. Para  saber  mais   sobre   o  início da  radiodifusão  no Brasil, leia  os seguintes textos:


Para  comemorar a data, sugiro  um trecho do  filme Alô, alô,  Carnaval!, no qual  as   irmãs  Aurora e  Carmem Miranda  cantam juntas a  música   Cantores do Rádio, de  Lamartine  Babo.


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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Concurso de Poesia em São Fidélis

Recebi de meu amigo   Tião Queiroz  o  aviso de  que haverá um  concurso de   São Fidélis.  Publico, então, o cartaz de  divulgação do  evento.


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sábado, 19 de setembro de 2009

Liberdade religiosa

Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

(Artigo XVIII da  Declaração  Universal dos  Direitos do Homem)


 

O  trecho acima  foi extraído  da  Declaração Universal  dos  Direitos  do  Homem, texto publicado  em  10 de  dezembro de  1948;  assim  como  ele, a  Constituição brasileira  garante, em  seu artigo Art. 5º, a  liberdade de  culto:


É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias, e a aceitação dos diferentes tipos de religião existente no mundo e na sociedade.



Amanhã, dia 20 de  setembro, acontecerá,  no  Rio de  Janeiro, a  II  Caminhada  pela  tolerância  religiosa.  Entende-se   por  intolerância  religiosa todo ato  de desrespeito e  perseguição motivado pela  diferença  de credos. Ninguém  é  obrigado a  concordar  e  aceitar as   verdades religiosas de outras  pessoas, porém é  inconcebível que atos  de  vandalismo e  agressão  física  ocorram em nome da fé. No Rio de  Janeiro,  muito se  tem  falado sobre  o tema, principalmente após   templos  religiosos  de   diversas  denominações terem  sido atacados.


 

 

Liberdade_religiosa Clique  na  imagem  para   saber  mais!


 

O  Código Penal  Brasileiro  entende  como  crime  todo  ato  de  intolerância religiosa;  portanto, é  preciso  denunciar. No  Rio de  Janeiro,  ligue  para 2461-0055; em  todo o território  nacional, a  denúncia  pode ser  feita através do 2253-1177,  que recebe  denúncias  de   todo  tipo de crime.


 

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vacinação infantil

Amanhã, dia   19  de  setembro,  não  deixe  de  levar  as  crianças  menores de   cinco  anos  aos  postos  de saúde. Essa  é a  segunda  fase  da  vacinação contra a  poliomielite.

 

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sábado, 12 de setembro de 2009

Memória e cinema

 

 

Eu  não lembro muito   bem  do  que estava fazendo   em  11 de setembro de  2001. Lembro-me de   ter  ligado a TV  no momento  exato  em  que um avião atingia  a segunda  torre  do   World Trade  Center. Na   hora, eu pensei tratar-se de  um avião   desgovernado e demorei  a  acreditar  que aquilo era um ataque. Só  acreditei quando a imagem  do primeiro  choque  foi reprisada.

Para  lembrar  a  data,  sugiro  o documentário Fahrenheit  11 de setembro, produzido  em   2004 pelo   polêmico  Michel   Moore. O  título  é   uma referência explícita  a   outra   obra  : Fahrenheit  451, uma  obra de  ficção    baseada  em   livro homônimo.  De acordo com a  obra,  em  um futuro  distante, todos  seriam  proibidos de ler  e   toda  escrita   seria  proibida. Além  do  filme  de  Moore, há   também  o  excelente  texto de  Eva Paulino  Bueno  publicado  pela   Revista  Espaço  Acadêmico: O documentário  Fahrenheit 9-11  e  sua  possível   influência nas  eleições americanas.

 

 

 

Fahenheit

Título  original: Fahrenheit   9/11

Direção, produção e roteiro:  Michael  Moore

Duração :  122 min.

Classificação  etária:  12 anos

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dia da Independência

Brava gente  brasileira!
Longe  vá… temor  servil!
Ou  ficar a pátria livre
ou morrer  pelo Brasil!
(Hino da Independência do Brasil)
Hoje é  7 de setembro, dia  da Independência do  Brasil.  Vi,  em  um telejornal  local,  as  imagens  do  desfile  cívico  na  Avenida  Presidente  Vargas, centro do Rio de Janeiro. Quando eu era criança,  meu pai me  levava para  ver  o desfile dos  militares e  depois passear  no Monumento aos  Pracinhas, no  final da Avenida  Rio Branco. 

O  7  de  setembro , assim como  22 de abril  e  outras  datas  semelhantes, é uma data em  que  o patriotismo é  naturalmente  valorizado  e quase somos  tomados  por  um ufanismo  romântico. Eu, porém,  lembro-me sempre  de um poema de  Vinícius de  Moraes: Pátria Minha. Poema de  cunho  nacionalista, escrito  quando o poeta  exercia suas  funções de diplomata no exterior e  morria  de saudades de  casa sem, porém,  perder a realidade de vista.
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."

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sábado, 5 de setembro de 2009

Dois anos de leitura – aniversário do blog

 

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Hoje, dia  5  de setembro  de  2009, o  Leio o Mundo  Assim completa  dois anos. Como   foi  explicado no  ano passado,  ele  surgiu da leitura  de  um poema de  Carlos  Drummond de Andrade:  Mundo grande (“Não, meu  coração não é maior que o mundo…”).

Naquele  texto  eu contei  como  havia  sido  a  criação do blog, a escolha do  template a ser usado, as  transformações  por que passou, os  blogs  que  me influenciaram e  apresentei o  layout  usado  até  hoje. Desta  vez, o  Leio  não vai  “trocar de  roupa”, pois  ele  está do jeito que eu queria desde que  foi criado.  Pode ser  que eu  mude  de ideia  na próxima  semana,  no próximo mês ou, quem  sabe,  amanhã… 

Hoje  eu quero apenas  agradecer a  todo  mundo  que passou  por aqui nesses dois anos; até  o momento em que este  texto  foi escrito,  foram  71.557 visitas  e mais de  100  fiéis assinantes  de  feeds. Fica  aqui, portanto, o meu agradecimento a todos  os que passaram  por  aqui  e, pacientes, esperaram  a  minha  volta sempre que eu  precisei  me  ausentar.   Beijos  para  todos  vocês!

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