A primeira vez que me atrevi a sugerir, aqui no blog, a leitura de um livro foi ao concluir a revisão linguística do trabalho de meu amigo
Jesus Xavier. Logo em seguida, criei
Sugestão de Leitura, uma série de 30 artigos, encerrada em 14 de setembro de 2008. Após encerrar a série, não publiquei mais nada acerca de minhas leituras; volto a fazê-lo hoje com o texto
Tartufo ou o Impostor, de Molière, cuja obra
O doente imaginário já foi citada aqui.
Jean-Baptiste Poquelin, o Molière, nasceu em 15 de janeiro de 1622, em Paris. Formou-se advogado,porém jamais exerceu a profissão, trocando-a logo cedo pelo teatro. Em 1644, ano em que Poquelin fundou a companhia teatral Illustre Théâtre, surgiu também o pseudônimo Molière, cuja origem é controversa: alguns dizem ser o nome de um vinhateiro amigo do dramaturgo, enquanto outros afirmam que a troca foi uma imposição da família, que se sentira envergonhada por ter um membro no teatro.
Em 1664, Molière lançou Tartufo, uma obra cômica de crítica à Igreja Católica. Após a primeira apresentação, o dramaturgo foi acusado de libertinagem por um sacerdote de nome Roullè, uma vez que ousara mostrar a Igreja de forma depreciativa. A confraria do Santo Sacramento, por sua vez, considerou que a peça atentava contra a moral e os bons costumes, além de ofender as classes religiosas. O que havia, afinal, em Tartufo, a ponto de provocar a ira dos clérigos?
Tartufo ou O Impostor é uma peça em cinco atos e seu protagonista personagem-título é um falso devoto que se hospeda na casa de Orgon, um homem ingênuo e de grande ardor religioso. De acordo com a nota de rodapé , publicada na edição usada neste post,o nome Tartufo significaria “mentiroso, charlatão”.
Tartufo é um religioso hipócrita que, por conta de sua “generosidade” e “pureza de alma” encanta a família que lhe hospeda. Ao longo da peça, o personagem é desmascarado e atrai a repulsa de alguns moradores da casa: o filho de Orgon vê nele um oportunista , a criada o repudia, mas o dono da casa tem nele total confiança. Alguns críticos viram nessa admiração cega de Orgon um índice de homossexualismo, o que certamente provocou a ira da Igreja quando a peça foi encenada pela primeira vez.
A edição da Martins Claret contém três prefácios: o primeiro apresenta um breve biografia do autor e o resumo da obra; o segundo, assinado por Robert Jouanny aborda o contexto histórico no qual dramaturgo estava inserido e a análise dos personagens da peça. Por último, o terceiro prefácio é a cópia do texto escrito e publicado por Molière em 1669; documento interessante também por conter as petições apresentadas ao rei da França, solicitando a permissão para que a peça fosse encenada.
MOLIÈRE.
Tartufo ou O impostor. São Paulo: Martins Claret, 2003. 178 p.
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