quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cartão postal - Campos do Jordão

Postal - Campos  do   Jordão

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As fotos que compõem o cartão postal  acima foram feitas  por   mim durante minha  viagem  a Campos do Jordão, onde  estive no último final de semana. Eu havia planejado fazer  um diário  de  viagem, saí de casa disposta  a  escrever   no   blog enquanto  estivesse  lá, mas  a cidade é  linda  e eu decidi  não perder   tempo  diante  do computador; à noite, eu estava  exausta  e  quase dormi  em  cima do   notebook.

Na primeira  vez em  que estive naquela  cidade, eu  tinha  seis  anos  e fui  levada  por  minha mãe e  meu  avô;  conosco  foram, ainda,  meu tio Nininho e   minha prima   Jija.  Lembro-me do  chafariz  na praça, do  passeio  de pedalinho  no lago,  da  subida  na  cadeirinha  do  teleférico-  subida essa que me deixou  com medo  de  altura  pelo  resto  da vida! Recordo-me  também  do  hotel  em que nos hospedamos e onde, pela  primeira   vez,  vi  uma  lareira. Eu  e  minha   mãe   voltamos  lá  dia  6,  junto  com um grupo de  amigos da nossa  antiga  paróquia,  e  vimos   novamente esse lugares, mas   não  ficamos no  mesmo  hotel.

Saímos  do   Rio de Janeiro na  noite do  dia 6 e chegamos  a Campos  na  manhã  do  dia 7; uma  viagem   longa, cansativa  e perigosa.  Durante a  viagem,  ficamos  parados em um trecho  de mão  dupla na  serra (não  me lembro se era Araras ou  Mantiqueira),  por  aproximadamente quarenta  minutos. O  céu amanhecia em azul  e laranja diante de  um terrível  acidente de trânsito: um caminhão destruído  após  chocar-se com  um microônibus.  Eu vi o caminhão, mas  não  quis  olhar  o outro veículo, pois  alguém  dissera que havia  crianças.

Pela manhã,  chegamos ao hotel, um prédio em  arquitetura  alemã  (uma característica da  cidade), com um belíssimo bosque ao  fundo e imenso  lago repleto de vitórias-régias. Após  o  café da  manhã, saímos  para visitar   a cidade. Que  cidade linda! Ficamos  todos  encantados com as  hortênsias, lírios, copos  de  leite e  uma   infinidade de flores  que   jamais   víramos. Chamou-nos  atenção  a  limpeza   urbana, que  refletia   a  origem  europeia  daquela  gente, e  a  educação  para  o  trânsito.  Não vi semáforos;  os  motoristas  param  quando  o   pedestre  coloca  o  pé  na faixa.

No  sábado,  visitamos  o  Palácio da  Boa   Vista e  fizemos   um passeio de trenzinho pelas  ruas  da cidade.  O palácio é a residência do governador quando  está em   Campos,  porém funciona  como  museu durante  o  ano. Além  do  acervo permanente,  que  inclui vasos  chineses,  mobiliário  francês  e  a cama  em que  dormiu   o presidente  francês Charles de  Gaulle, há duas  grandes  exposições:  Campos  do  Lobato e   Tarsila  em   família. A primeira é  composta   por  objetos pessoais  do  escritor  Monteiro Lobato  e aquarelas  pintadas  por  ele; a segunda,  é   uma  coleção  de   telas, fotografias e  outros objetos  que  pertenceram à artista.   O  “trenzinho” é um veículo  movido  a diesel que  leva  os   turistas  aos   principais  pontos  de  Campos  do  Jordão.

No domingo  pela   manhã,  participamos da   missa  celebrada  no   ginásio do  hotel. A administração é dos Salesianos e, por essa  razão,  há   missas  semanais  e  programação  religiosa  em  épocas  específicas. Após  a  celebração, decidida  a   vencer  o medo  da cadeirinha  do   teleférico,   fui  ao  centro da  cidade. A tal cadeira  funciona  do  seguinte modo: o  passageiro  coloca-se dentro  de   um  círculo amarelo,  a cadeira (que  não para  nunca)  aproxima-se em  um cabo  de  aço, o   sujeito  joga-se  na  cadeira,  aciona  a   trava e  vai em  direção  ao  Morro  do  Elefante, onde  fica  a  outra  estação;  tudo  isso  acontece  em  uns   míseros   segundos.  Minha  mãe se jogou em   uma  cadeira; eu, em  outra. 

Durante  a  subida  para o  Morro do  Elefante, eu  sequer  olhei para  baixo; apenas  apertei o    ferro  que  travava a  cadeira  e não soltei nem  por  decreto. Pensamentos mórbidos  me  dominaram: e  se  aquilo parasse? e  se  minha mãe caísse? e  se eu caísse?  e se  todo   mundo  caísse? Na  chegada   ao  morro, um cartaz debochado, ao menos  para quem estava  com  medo, dizia: “Sorria! Você  está sendo   fotografado!”. E como alguém que nem parou ainda de  tremer consegue sorrir?  Na saída,  fui  puxada  pela mão e  a cadeira seguiu  sozinha para  fazer  o  caminho  de   volta. Ficamos   um tempo  no morro, de  onde  se   tem uma  visão  privilegiada  de   boa  parte da  cidade. Lá,  assistimos a  apresentação de   um grupo de   música peruana. Ficamos  ali   por uns   vinte  minutos  e  eu  teria  de enfrentar a cadeirinha  outra  vez.

Dessa   vez, decidi  que  filmaria  a descida;  afinal,  eu  precisava  registrar  aquela vista.  Minha  mãe jogou-se  novamente na cadeira e  eu  fui  atrás, decidida  a  me  comportar. Pensamentos obscuros  novamente, porém   filmando  sempre e  observando  as  pessoas  que  subiam:  a  idosa   tranquilíssima, a  moça  com a  bolsa   solta  no  colo (Devia ser  louca!), o rapaz  com  a  latinha  de  cerveja; um outro   que  subiu  filmando  também   e me  disse pra   não  chorar  e dar  adeuzinho para a câmera (Isso  que é tripudiar do  medo alheio!); o pai  com a garotinha no colo (Que isso, gente? A  criança  não chora? Devia estar  em estado de choque a  coitadinha… Só pode!). 

Após o   almoço  no  hotel,  arrumamos as  malas e  pusemo-nos  novamente na  estrada  rumo  ao  Rio de Janeiro. Em Aparecida do  Norte, o motorista reduziu  a  velocidade diante da Basílica; oramos  todos pedindo  proteção na  volta  pra  casa (“Ave Maria, cheia  de  graça…”). Chegamos bem e exaustos  todos, mas  com  a sensação  de  um excelente final de semana.

9 Comentário(s) no Blogger:

Valério Alex 12 de novembro de 2009 13:44  

Déa, esse passeio foi muito lindo! Parabéns! Só tenho uma dúvida: como você consegue chorar e rir ao mesmo tempo? rsrsrs
Beijos em milhares!

Andréa Motta 12 de novembro de 2009 13:53  

Pois é, Valério, eu consigo chorar e rir ao mesmo tempo rsrs

Anônimo,  12 de novembro de 2009 14:10  

Ótimo relato Andrea. Como, aliás, tudo que voce escreve!
Aloisio Gondim

Andréa Motta 12 de novembro de 2009 14:19  

Obrigada, Aloisio! Beijos, querido, é bom ter sua visita por aqui.

Anônimo,  13 de novembro de 2009 10:43  

VC É DEMAIS, ADOREI LER SOBRE O SEU PASSEIO, SAIBA QUE É MUITO BOM TER COMO AMIGA UMA PESSOA TÃO SÁBIA E BACANA COMO VC.
UM GD ABRAÇO.

Anônimo,  13 de novembro de 2009 15:02  

Oi.Amei seu passeio. Gostaria porém de fazer a seguinte perrgunta: o teleférico parou?
Amo você.
Beijos
Shii

Andréa Motta 13 de novembro de 2009 15:26  

Oi, Shii (Minha tia deixa recadinho no blog. Que bom!) O teleférico parou, sim. Além das fotos, fizemos um monte de vídeos para lhe mostrar depois. Beijos!

Georgia 14 de novembro de 2009 04:58  

Andréa que passeio maravilhoso esse o seu.

E que lindos cartoes postais. O Daniel tem uma colecao de quase 100 postais de várias partes do mundo.

Bom fim de semana

Um beijo menina

Luma Rosa 15 de novembro de 2009 10:46  

Andréa, da próxima vez se lembre de marcar um encontro comigo por aquelas bandas. Eu não saio de Campos, porque além da cidade, minha família agora reside por lá. Boa semana! Beijus,

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