Cartão postal - Campos do Jordão
Clique para ampliar
As fotos que compõem o cartão postal acima foram feitas por mim durante minha viagem a Campos do Jordão, onde estive no último final de semana. Eu havia planejado fazer um diário de viagem, saí de casa disposta a escrever no blog enquanto estivesse lá, mas a cidade é linda e eu decidi não perder tempo diante do computador; à noite, eu estava exausta e quase dormi em cima do notebook.
Na primeira vez em que estive naquela cidade, eu tinha seis anos e fui levada por minha mãe e meu avô; conosco foram, ainda, meu tio Nininho e minha prima Jija. Lembro-me do chafariz na praça, do passeio de pedalinho no lago, da subida na cadeirinha do teleférico- subida essa que me deixou com medo de altura pelo resto da vida! Recordo-me também do hotel em que nos hospedamos e onde, pela primeira vez, vi uma lareira. Eu e minha mãe voltamos lá dia 6, junto com um grupo de amigos da nossa antiga paróquia, e vimos novamente esse lugares, mas não ficamos no mesmo hotel.
Saímos do Rio de Janeiro na noite do dia 6 e chegamos a Campos na manhã do dia 7; uma viagem longa, cansativa e perigosa. Durante a viagem, ficamos parados em um trecho de mão dupla na serra (não me lembro se era Araras ou Mantiqueira), por aproximadamente quarenta minutos. O céu amanhecia em azul e laranja diante de um terrível acidente de trânsito: um caminhão destruído após chocar-se com um microônibus. Eu vi o caminhão, mas não quis olhar o outro veículo, pois alguém dissera que havia crianças.
Pela manhã, chegamos ao hotel, um prédio em arquitetura alemã (uma característica da cidade), com um belíssimo bosque ao fundo e imenso lago repleto de vitórias-régias. Após o café da manhã, saímos para visitar a cidade. Que cidade linda! Ficamos todos encantados com as hortênsias, lírios, copos de leite e uma infinidade de flores que jamais víramos. Chamou-nos atenção a limpeza urbana, que refletia a origem europeia daquela gente, e a educação para o trânsito. Não vi semáforos; os motoristas param quando o pedestre coloca o pé na faixa.
No sábado, visitamos o Palácio da Boa Vista e fizemos um passeio de trenzinho pelas ruas da cidade. O palácio é a residência do governador quando está em Campos, porém funciona como museu durante o ano. Além do acervo permanente, que inclui vasos chineses, mobiliário francês e a cama em que dormiu o presidente francês Charles de Gaulle, há duas grandes exposições: Campos do Lobato e Tarsila em família. A primeira é composta por objetos pessoais do escritor Monteiro Lobato e aquarelas pintadas por ele; a segunda, é uma coleção de telas, fotografias e outros objetos que pertenceram à artista. O “trenzinho” é um veículo movido a diesel que leva os turistas aos principais pontos de Campos do Jordão.
No domingo pela manhã, participamos da missa celebrada no ginásio do hotel. A administração é dos Salesianos e, por essa razão, há missas semanais e programação religiosa em épocas específicas. Após a celebração, decidida a vencer o medo da cadeirinha do teleférico, fui ao centro da cidade. A tal cadeira funciona do seguinte modo: o passageiro coloca-se dentro de um círculo amarelo, a cadeira (que não para nunca) aproxima-se em um cabo de aço, o sujeito joga-se na cadeira, aciona a trava e vai em direção ao Morro do Elefante, onde fica a outra estação; tudo isso acontece em uns míseros segundos. Minha mãe se jogou em uma cadeira; eu, em outra.
Durante a subida para o Morro do Elefante, eu sequer olhei para baixo; apenas apertei o ferro que travava a cadeira e não soltei nem por decreto. Pensamentos mórbidos me dominaram: e se aquilo parasse? e se minha mãe caísse? e se eu caísse? e se todo mundo caísse? Na chegada ao morro, um cartaz debochado, ao menos para quem estava com medo, dizia: “Sorria! Você está sendo fotografado!”. E como alguém que nem parou ainda de tremer consegue sorrir? Na saída, fui puxada pela mão e a cadeira seguiu sozinha para fazer o caminho de volta. Ficamos um tempo no morro, de onde se tem uma visão privilegiada de boa parte da cidade. Lá, assistimos a apresentação de um grupo de música peruana. Ficamos ali por uns vinte minutos e eu teria de enfrentar a cadeirinha outra vez.
Dessa vez, decidi que filmaria a descida; afinal, eu precisava registrar aquela vista. Minha mãe jogou-se novamente na cadeira e eu fui atrás, decidida a me comportar. Pensamentos obscuros novamente, porém filmando sempre e observando as pessoas que subiam: a idosa tranquilíssima, a moça com a bolsa solta no colo (Devia ser louca!), o rapaz com a latinha de cerveja; um outro que subiu filmando também e me disse pra não chorar e dar adeuzinho para a câmera (Isso que é tripudiar do medo alheio!); o pai com a garotinha no colo (Que isso, gente? A criança não chora? Devia estar em estado de choque a coitadinha… Só pode!).
Após o almoço no hotel, arrumamos as malas e pusemo-nos novamente na estrada rumo ao Rio de Janeiro. Em Aparecida do Norte, o motorista reduziu a velocidade diante da Basílica; oramos todos pedindo proteção na volta pra casa (“Ave Maria, cheia de graça…”). Chegamos bem e exaustos todos, mas com a sensação de um excelente final de semana.




Déa, esse passeio foi muito lindo! Parabéns! Só tenho uma dúvida: como você consegue chorar e rir ao mesmo tempo? rsrsrs
Beijos em milhares!
Pois é, Valério, eu consigo chorar e rir ao mesmo tempo rsrs
Ótimo relato Andrea. Como, aliás, tudo que voce escreve!
Aloisio Gondim
Obrigada, Aloisio! Beijos, querido, é bom ter sua visita por aqui.
VC É DEMAIS, ADOREI LER SOBRE O SEU PASSEIO, SAIBA QUE É MUITO BOM TER COMO AMIGA UMA PESSOA TÃO SÁBIA E BACANA COMO VC.
UM GD ABRAÇO.
Oi.Amei seu passeio. Gostaria porém de fazer a seguinte perrgunta: o teleférico parou?
Amo você.
Beijos
Shii
Oi, Shii (Minha tia deixa recadinho no blog. Que bom!) O teleférico parou, sim. Além das fotos, fizemos um monte de vídeos para lhe mostrar depois. Beijos!
Andréa que passeio maravilhoso esse o seu.
E que lindos cartoes postais. O Daniel tem uma colecao de quase 100 postais de várias partes do mundo.
Bom fim de semana
Um beijo menina
Andréa, da próxima vez se lembre de marcar um encontro comigo por aquelas bandas. Eu não saio de Campos, porque além da cidade, minha família agora reside por lá. Boa semana! Beijus,
Postar um comentário
Gostou do texto e tem algo a dizer sobre ele? Comente-o, mas deixe comentários relativos apenas ao conteúdo do blog. Mensagens pessoais podem ser enviadas através formulário de contato. Para se comunicar comigo, você também pode usar o MURAL DE RECADOS. Obrigada pela visita!
Andréa Motta