A cor púrpura
Uma das coisas que adoro fazer aos domingos é ver filme. Nada de domingões ou programas do tipo; gosto mesmo é de ver os canais de filme na TV a cabo ou escolher algum da minha coleção de DVD. Nesta semana, encontrei, em uma loja, uma dessas produções que todo mundo deveria ver, mas que raramente achamos pra comprar (ou, pelo menos, eu levo anos pra achar): A cor púrpura, o primeiro filme da carreira de Whoopi Goldberg e brilhantemente dirigido por Steven Spielberg.
A narrativa é contada de 1906 a 1937 e é ambientada em uma cidade do estado da Georgia, sul dos Estados Unidos - os cinéfilos se lembrarão de E o vento levou (1939), ambientado no mesmo local. Quem nos conta a história é Celie, uma adolescente calada, reprimida e escravizada, que ora a Deus no início do filme dizendo: “Querido Deus, ele disse que eu tinha que fazer o que a mamãe não faz!”; essa oração inicial apresenta ao espectador a sina de Celie: violentada pelo pai, mãe de dois bebês, dos quais logo seria afastada, e vendida para que se calasse.
O pai entrega Celie a um estranho (Danny Glover), sujeito cujo nome só descobrimos na metade do filme e a quem nossa protagonista e sua irmã chamam apenas de Mister (Senhor). Este age realmente como se dono delas fosse: Celie é, ao mesmo tempo, a esposa e a escrava; Nettie recusa o assédio sexual e é expulsa de casa. A partir daí, Celie perde o contato com a irmã, mas conversa com ela todos os dias em belas “cartas mentais”.
A vida de Celie só muda quando chegam Sofia ( Oprah Winfrey) e Shug (Margaret Avery), a nora de Mister e uma cantora de cabaré que não reconhecem sua autoridade. Ambas mostram a Celie que é possível deixar a “prisão” imposta por Mister e construir uma nova vida. O encontro entre essas três mulheres e como elas se influenciam é o tema da segunda metade do filme.
Whoopi Goldberg faz, com A cor púrpura, sua estréia no cinema, pelas mãos de Steven Spielberg, que já era um diretor renomado após dirigir grandes produções como Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida (1981), ET- o Extraterrestre (1982) e Poltergeist – o fenômeno (1982). A atriz construiu sua personagem apostando na expressão corporal e na força do olhar. Celie, a cada cena torna-se mais calada e reprimida; Whoopi assume, então, uma postura encurvada e servil, um andar desengonçado, um olhar que jamais se levanta e uma voz quase inaudível: características de uma personagem que tem medo de falar, de pensar e de viver. Celie é o oposto de Sofia e Shug, duas mulheres altivas, de olhar superior e voz alta, que recusam a autoridade de qualquer pessoa.
A cor púrpura concorreu ao Oscar de melhor filme em 1985, mas naquele ano o vencedor foi Entre dois amores.
Ficha técnica:
Ano de produção: 1985Título original: The color purple
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey, Margaret Avery, Danny Glover, Adolph Caesar
Direção de fotografia: Allen Daviau
Desenhista de produção: J. Michael Riva
Edição: Michael Khan
Produção: Steven Spielberg, Quincy Jones, Kathleen Kennedy, Frank Marshall






Oi Andréa.
Você acredita que eu nunca consegui assistir esse filme inteiro ?
Bjs.
Elvira
Elvira, eu também demorei muito a conseguir ver esse filme todo; sempre acontecia algo e eu era interrompida.
“Encontrei o amor. Ele não é real, mas que se há de fazer? Agente não pode ter tudo na vida.” Dizia Cecília/Mia Farrow no filme. Beijus
Olá.
A Cor Púrpura é um dos meus filmes favoritos.
Aliás, eu sou uma grande fã de Spielberg, então sou meio suspeita.
Mas li o livro e foi muito bem adaptada.
Sou do tempo que vi a estréia no cinema e ainda quando acreditava em Oscar e assistia a tudo.Torcia e acreditava de verdade que o Oscar premiava os melhores. Foi uma das grandes decepções cinematográficas da história. Este filme concorreu a 11 oscars. E não levou um sequer.
Entre dois amores ficou com quase tudo. Até hoje tenho antipatia por este filme, apesar de gostar muito de Meryl Strep.
Cada vez que eu vejo a cena da separação das irmãs eu choro.
A Cor Púrpura é um belo filme e sua trilha sonora sintetiza muito a história da música nos Estados Unidos. É lindo. Puro amor. Só poderia ter vindo deste mestre...Claro, como disse, sou suspeita..risos..
Abraço.
Aline Silva Dexheimer
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Andréa Motta