domingo, 5 de julho de 2009

A cor púrpura



Uma das coisas que adoro  fazer aos domingos é  ver   filme. Nada de  domingões ou   programas do tipo; gosto  mesmo  é  de   ver os canais  de filme na TV a cabo  ou escolher  algum da  minha coleção de   DVD.  Nesta semana, encontrei, em   uma   loja,  uma dessas  produções que todo mundo  deveria  ver, mas  que  raramente achamos pra comprar (ou, pelo menos, eu   levo anos  pra achar):  A cor púrpura,  o  primeiro   filme da carreira de Whoopi Goldberg e brilhantemente  dirigido  por  Steven  Spielberg.





A narrativa é contada de   1906 a  1937 e é ambientada em uma  cidade do  estado  da   Georgia, sul dos Estados  Unidos -  os cinéfilos se lembrarão de E o vento levou (1939), ambientado  no mesmo  local. Quem  nos  conta a  história é  Celie, uma  adolescente calada, reprimida e escravizada, que  ora a Deus no  início do filme dizendo:  “Querido Deus, ele disse que eu  tinha que   fazer  o que a mamãe não faz!”; essa  oração  inicial  apresenta ao  espectador a sina de  Celie: violentada pelo pai, mãe de  dois  bebês, dos quais   logo seria  afastada, e vendida para que se calasse.


O pai  entrega  Celie a um estranho (Danny Glover), sujeito  cujo nome só  descobrimos  na metade  do filme e  a quem   nossa protagonista e sua  irmã chamam  apenas de  Mister (Senhor). Este age realmente como  se  dono  delas  fosse: Celie é, ao mesmo  tempo, a esposa e a escrava; Nettie recusa  o  assédio sexual e é  expulsa de casa. A partir daí, Celie perde o  contato  com  a irmã, mas conversa com ela  todos  os  dias  em  belas  “cartas mentais”.


A  vida de Celie  só muda quando  chegam Sofia ( Oprah  Winfrey) e  Shug (Margaret Avery), a   nora de  Mister e  uma cantora de cabaré que   não reconhecem  sua autoridade. Ambas mostram  a  Celie que  é possível  deixar  a  “prisão” imposta por Mister  e construir  uma nova  vida.  O encontro entre essas   três mulheres  e como elas se   influenciam  é o tema  da segunda   metade  do filme.


Whoopi Goldberg  faz, com  A cor púrpura, sua  estréia  no cinema, pelas  mãos de Steven  Spielberg, que  já  era  um   diretor renomado após dirigir grandes produções como  Indiana  Jones e os  caçadores da Arca Perdida (1981), ET- o   Extraterrestre (1982) e Poltergeist – o fenômeno (1982).  A atriz   construiu   sua  personagem apostando  na expressão corporal e na força do olhar. Celie, a cada cena torna-se mais calada  e reprimida; Whoopi assume, então,   uma postura  encurvada e servil, um andar desengonçado,  um olhar que  jamais   se  levanta e uma  voz quase  inaudível: características  de  uma personagem  que   tem medo de   falar, de pensar e de viver. Celie é o oposto de  Sofia e  Shug, duas  mulheres altivas, de  olhar superior e  voz  alta, que  recusam a  autoridade  de  qualquer  pessoa.


A cor púrpura concorreu  ao  Oscar de  melhor filme em    1985, mas  naquele  ano  o  vencedor foi Entre dois amores


Ficha técnica:
Ano de produção: 1985
Título original:  The  color  purple
Direção: Steven  Spielberg

Elenco: Whoopi Goldberg,  Oprah  Winfrey, Margaret  Avery,  Danny Glover, Adolph  Caesar
Direção de  fotografia: Allen  Daviau
Desenhista de  produção:  J. Michael  Riva
Edição: Michael  Khan
Produção:  Steven  Spielberg,  Quincy  Jones, Kathleen Kennedy,   Frank  Marshall

4 Comentário(s) no Blogger:

Elvira 6 de Julho de 2009 23:18  

Oi Andréa.

Você acredita que eu nunca consegui assistir esse filme inteiro ?

Bjs.
Elvira

Andréa Motta 7 de Julho de 2009 09:31  

Elvira, eu também demorei muito a conseguir ver esse filme todo; sempre acontecia algo e eu era interrompida.

Luma 9 de Julho de 2009 19:28  

“Encontrei o amor. Ele não é real, mas que se há de fazer? Agente não pode ter tudo na vida.” Dizia Cecília/Mia Farrow no filme. Beijus

Aline Silva Dexheimer 14 de Julho de 2009 21:56  

Olá.
A Cor Púrpura é um dos meus filmes favoritos.
Aliás, eu sou uma grande fã de Spielberg, então sou meio suspeita.
Mas li o livro e foi muito bem adaptada.
Sou do tempo que vi a estréia no cinema e ainda quando acreditava em Oscar e assistia a tudo.Torcia e acreditava de verdade que o Oscar premiava os melhores. Foi uma das grandes decepções cinematográficas da história. Este filme concorreu a 11 oscars. E não levou um sequer.
Entre dois amores ficou com quase tudo. Até hoje tenho antipatia por este filme, apesar de gostar muito de Meryl Strep.
Cada vez que eu vejo a cena da separação das irmãs eu choro.
A Cor Púrpura é um belo filme e sua trilha sonora sintetiza muito a história da música nos Estados Unidos. É lindo. Puro amor. Só poderia ter vindo deste mestre...Claro, como disse, sou suspeita..risos..
Abraço.
Aline Silva Dexheimer

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