sexta-feira, 27 de março de 2009

A verdadeira crise está na Educação


Que a   Educação  brasileira anda, como  se  diz  por  aí, “ mal das pernas”  ninguém mais  duvida;  eu  sou professora desde os  17 anos e  sei bem como é o magistério. Hoje, dia    27 de  março,  eu consegui  me  surpreender ainda mais  com a   falta de  atenção das autoridades fluminenses sobre este assunto. Abri o  jornal  Extra e li uma matéria, cujo  título era “Estudantes assumem  lugar de  professores em  Itaboraí”.  Esta referia-se ao  fato de  estudantes do  curso de   formação de  professores (antigo curso  Normal) lecionarem  para  turmas   do  ensino   fundamental, após  a saída dos  professores  que   tinham um contrato  de   trabalho  temporário  com  o governo  do Estado.   


A minha  surpresa  não   foi a falta de professores em sala; quem   mora no estado  do  Rio de  Janeiro acostumou-se a  ver   todos os  dias  notícias  sobre  esse  tema.  O que  me  surpreendeu  foi a  solução encontrada:   mandar para  as salas de aula alunos ainda em  formação. Primeiro,  há  uma questão legal sendo desrespeitada:   estagiário de qualquer área de conhecimento não pode  atuar sem  um profissional que lhe supervisione. Estagiário da área educacional  sequer pode  ficar  sozinho  em  sala, o que  é suficiente para  o coordenador pedagógico  da instituição repreender o professor. Segundo, minha  surpresa  foi provocada pela   fala  dos  jovens entrevistados; alguns estão no  último  ano do   curso e não tem a  menor ideia de como trabalhar. Isto me leva a  outro questionamento: o que farão quando  forem  os   responsáveis de  fato pela  aprendizagem de alguém?

Há  alguns dias, eu conversava com uma adolescente de   18 anos, estudante do segundo ano  do  curso de  formação  de  professores e  nossa  conversa  provocou-me profunda nostalgia dos  antigos  cursos  normais. A jovem  falava-me sobre  a escola  onde  estuda _ uma das  mais tradicionais escolas normais do Rio de  Janeiro_  e deixou  claro o quão mal  formada está a  nova   geração  de  professores. Serão educadores  que   não  leem, não escrevem, não se  informam  sobre  absolutamente  nada e  têm  uma cultura de  livro de  autoajuda: um verdadeiro  caos!  Ontem, eu lia, no trabalho, um texto que  dizia  mais  ou menos o seguinte: o problema  da educação brasileira  está  na  formação dos  professores.

Como alfabetizar  uma criança, se a professora dela  escreve, lê  e fala mal? Dias atrás  ouvi,  no  ônibus,  uma normalista  dizer “A gente  fizemu”. Fiquei  triste por  ter sido normalista   um dia; senti vontade de  mandá-la  de volta  à  escola para aprender a falar e  não lhe  daria   um emprego em   hipótese  alguma. Urge  que se faça   algo  pela  Educação  brasileira e isto não é apenas uma  questão de  “quem  dá aula pra quem”.

Leia, na íntegra,   a reportagem  citada  neste  post, acessando o  site do  Jornal Extra.

1 Comentário(s) no Blogger:

Evaldo M. Pinheiro 28 de Março de 2009 17:07  

Infelizmente investir em educação não trás votos, e pessoas informadas exigem que seus direitos não sejam manipulados nem precisam de “bolsas”. O Brasil, infelizmente ainda continua em décimo segundo lugar entre os países que mais investem em educação. O que eu vejo é que a educação no Brasil é um câncer que deve ser combatido, mas não existe vontade de nossos dirigentes. Nossas escolas públicas estão se deteriorando, os profissionais mal renumerados, sujeito a agressões físicas por alunos. O professor tem que fazer o papel que os pais deveriam fazer em casa e repassam para os professores em sala de aula. Em longo prazo sairia mais barato para o governo investir em educação que em construção de presídios. Infelizmente os próprios alunos não se preocupam com sua formação, são desinteressados, não lêem, estudam apenas para passar pelas provas não se preocupam em serem pessoas pensantes e formadoras de opiniões.

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