A verdadeira crise está na Educação
Que a Educação brasileira anda, como se diz por aí, “ mal das pernas” ninguém mais duvida; eu sou professora desde os 17 anos e sei bem como é o magistério. Hoje, dia 27 de março, eu consegui me surpreender ainda mais com a falta de atenção das autoridades fluminenses sobre este assunto. Abri o jornal Extra e li uma matéria, cujo título era “Estudantes assumem lugar de professores em Itaboraí”. Esta referia-se ao fato de estudantes do curso de formação de professores (antigo curso Normal) lecionarem para turmas do ensino fundamental, após a saída dos professores que tinham um contrato de trabalho temporário com o governo do Estado.
A minha surpresa não foi a falta de professores em sala; quem mora no estado do Rio de Janeiro acostumou-se a ver todos os dias notícias sobre esse tema. O que me surpreendeu foi a solução encontrada: mandar para as salas de aula alunos ainda em formação. Primeiro, há uma questão legal sendo desrespeitada: estagiário de qualquer área de conhecimento não pode atuar sem um profissional que lhe supervisione. Estagiário da área educacional sequer pode ficar sozinho em sala, o que é suficiente para o coordenador pedagógico da instituição repreender o professor. Segundo, minha surpresa foi provocada pela fala dos jovens entrevistados; alguns estão no último ano do curso e não tem a menor ideia de como trabalhar. Isto me leva a outro questionamento: o que farão quando forem os responsáveis de fato pela aprendizagem de alguém?
Há alguns dias, eu conversava com uma adolescente de 18 anos, estudante do segundo ano do curso de formação de professores e nossa conversa provocou-me profunda nostalgia dos antigos cursos normais. A jovem falava-me sobre a escola onde estuda _ uma das mais tradicionais escolas normais do Rio de Janeiro_ e deixou claro o quão mal formada está a nova geração de professores. Serão educadores que não leem, não escrevem, não se informam sobre absolutamente nada e têm uma cultura de livro de autoajuda: um verdadeiro caos! Ontem, eu lia, no trabalho, um texto que dizia mais ou menos o seguinte: o problema da educação brasileira está na formação dos professores.
Como alfabetizar uma criança, se a professora dela escreve, lê e fala mal? Dias atrás ouvi, no ônibus, uma normalista dizer “A gente fizemu”. Fiquei triste por ter sido normalista um dia; senti vontade de mandá-la de volta à escola para aprender a falar e não lhe daria um emprego em hipótese alguma. Urge que se faça algo pela Educação brasileira e isto não é apenas uma questão de “quem dá aula pra quem”.
Leia, na íntegra, a reportagem citada neste post, acessando o site do Jornal Extra.




Infelizmente investir em educação não trás votos, e pessoas informadas exigem que seus direitos não sejam manipulados nem precisam de “bolsas”. O Brasil, infelizmente ainda continua em décimo segundo lugar entre os países que mais investem em educação. O que eu vejo é que a educação no Brasil é um câncer que deve ser combatido, mas não existe vontade de nossos dirigentes. Nossas escolas públicas estão se deteriorando, os profissionais mal renumerados, sujeito a agressões físicas por alunos. O professor tem que fazer o papel que os pais deveriam fazer em casa e repassam para os professores em sala de aula. Em longo prazo sairia mais barato para o governo investir em educação que em construção de presídios. Infelizmente os próprios alunos não se preocupam com sua formação, são desinteressados, não lêem, estudam apenas para passar pelas provas não se preocupam em serem pessoas pensantes e formadoras de opiniões.
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Andréa Motta