Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Voto Consciente

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Outro  dia  conheci  um blog chamado Voto Consciente, de onde copiei  a  imagem que   introduz este   texto.  Descobri ali uma  proposta  interessantíssima  e com a qual me identifiquei logo: em  1 de  outubro publicar  um texto  sobre a  importância do  voto, nem o  voto   em branco, nem  o voto  nulo, mas  o  voto consciente.

Transcrevo de  lá  um trecho do  artigo:


Vamos levar, com as palavras, a importância de um eleitorado atento, vigilante e participativo para o futuro harmônico e vitorioso que nosso país merece ter.
Como fazer isso? Muito simples: Escreva um texto em seu blog sobre a importância do Voto Consciente e do Voto Cidadão para que possamos mudar a realidade nefasta que se apresenta a nossa nação sofrida e que já não agüenta mais tanta corrupção e injustiças


Em  junho de   1890,  foi  publicada a  lei   que daria  origem  a  primeira    Assembléia   Constituinte do   Brasil, que   culminou na  eleição  do   primeiro  presidente  da   República, e em   24 de  fevereiro de  1891, foi   promulgada  a  primeira  Constituição da República dos  Estados  Unidos  do  Brasil.

Com a  promulgação da Carta,  novas   reivindicações   surgiram  a  respeito do  processo  eleitoral: lutava-se  pelo  direito ao  voto  secreto e  pelo   voto  feminino. Na época, alguns  políticos  argumentaram  contra  a  participação  feminina, alegando  que esta   provocaria  “a  dissolução da família brasileira”, enquanto outros diziam  que  a mulher “não   tinha  capacidade intelectual  para   votar”.  Sobre  esta  luta pelo   voto  das  mulheres, uma   cena da novela  Cabocla, recém-reprisada pela Rede  Globo,  retratou bem a época:  o personagem  Coronel  Boanerges ( Tony Ramos), candidato  a deputado estadual, dizia  que o fato de  as  mulheres  não votarem não  lhes  tirava a influência  sobre  os  maridos e, por esta  razão, deveriam   também   votar. O   primeiro estado  brasileiro  a  admitir  o  voto   feminino foi  o Rio Grande   Norte, através de uma  lei de   1927; em  5 de  abril  de   1928, as   eleitoras  do estado  votaram  pela  primeira  vez, mas  o pleito    foi cancelado  pelo    Senado. Somente  em   1932 , o Código eleitoral passou a  considerar como  eleitor “qualquer  cidadão maior  de   21 anos,  sem  distinção de  sexo…”. No mesmo ano, institui-se o   voto  secreto.

Após  anos  de  lutas pelo   direito  ao voto  de todos (sufrágio universal, como está escrito na legislação), o brasileiro  se vê  preocupado  com  questões  éticas  na  hora de   votar. As  eleições municipais  acontecerão  em    5  de  outubro e muitos  ainda    não têm candidatos. Tenho ouvido   constantemente três  frases: “ Não gosto de  política” (e essa  eu respondi  aqui no blog   com  o texto  “Analfabeto  político”, de   Bertold  Bretch), “Político  é   tudo  corrupto, esse país é uma  vergonha!” e “Temos  de   votar  com  consciência!”.

Bertold  Bretch  dizia  que o “analfabeto  político não  sabe que da sua ignorância  nasce o político  pilantra e  vigarista”.  Se temos   políticos  corruptos, caríssimo leitor, tratemos de   fazer a  mea  culpa, pois  foi o nosso  voto  que o elegeu; temos  os  políticos  que  merecemos e escolhemos. E cá entre nós: ninguém   vira  mau cárater  de um dia  para o  outro; como  cidadãos, eles  certamente já demonstravam desvios  de  conduta: suborno ao  guardinha para não anotar  aquele estaciomento  em local proibido ou o avnaço naquele   sinal  vermelho ; a cervejinha do policial a fim  de evitar a  multa por ter bebido demais e outras coisinhas…O nome disso tudo  perante a lei é   corrupção ativa e  não se refere apenas  aos  parlamentares não! Então por que o espanto quando o seu vereador  aparece   na  imprensa  sob acusação de ter   subornado um aqui, outro ali? O suborno só ficou mais caro! A questão é  se ele  será merecedor  do  seu  voto em  outro  pleito ou   não…

É neste ponto  que entra a  idéia do voto consciente. Aurélio  Buarque  de  Holanda  me  diz que consciência é , entre  outros conceitos,  “o cuidado  com  qual  se realiza  uma tarefa, se cumpre um dever; senso de   responsabilidade”. É nosso dever pensar   com responsabilidade  sobre aquilo que  queremos  para a  educação, a saúde, a segurança  pública:   coisas que  a  Constituição de  1988   diz ser “ direito de  todos  e  dever  do  Estado”.

Abordagem semelhante também fiz  nos seguintes textos:
Nepotismo
Política dez  reais

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