sexta-feira, 11 de julho de 2008

Língua Portuguesa em foco - História da língua III

As invasões bárbaras e a nossa língua

A língua portuguesa, como já foi dito nos artigos anteriores, provém do latim vulgar, introduzido pelos romanos na região da Lusitânia , após anos de batalhas e conquistas. No século V, os bárbaros invadiram a Península Ibérica e estes compreendiam várias nações, cada uma com um dialeto próprio. Eram estes bárbaros os vândalos, os suevos e os visigodos.

Os primeiros bárbaros a chegar foram os vândalos, que se fixaram na Galécia e na Bética, região que conhecemos pelo nome de Andaluzia. . Os suevos se fixaram na Galécia e na Lusitânia, região onde se desenvolveu a nação portuguesa. Somente mais tarde é que ali aportaram os visigodos, sob o comando de Ataulfo.

No século VI, os visigodos dominaram os suevos e admitiram as influências romanas na cultura, assim como a língua latina, embora esta já estivesse alterada devido ao contato com as línguas bárbaras ao longo de séculos.


No século VIII, os povos árabes são fundamentais para a evolução da língua, que atravessaram o Estreito de Gibraltar e alcançaram a península. Em 711, o visigodo Rodrigo perde a batalha contra os mouros e estes dominam toda a região. A civilização árabe era culturalmente mais avançada do que a peninsular e os habitantes da região passaram, muitas vezes , a adotar a língua árabe, esquecendo o romance que falavam ( romances eram as línguas derivadas do latim, conforme já dissemos em outro artigo). Entre os árabes era comum o estudo da matemática, história, filosofia e foram eles de fundamental importância para a popularização das obras de Aristóteles na Europa, a partir da tradução de suas obras.

Com o domínio mouro, a língua oficial passou a ser o árabe, mas o povo recusou-se a abandonar o latim modificado que era falado na região. Desta dominação lingüística , a língua portuguesa herdou quase todos os nomes de instrumentos, plantas, medidas.

Apesar de os árabes serem tolerantes no que dizia respeito à religião, uma parte da população cristã refugiou-se nas montanhas da Andaluzia para planejar a retomada do território. Em 1492, os reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela conseguem  finalmente tomar o último território mouro, na Espanha.

A nação portuguesa só nasce com D. Afonso Henrique, herdeiro de D. Henrique , que havia recebido o Condado Portucalense como prêmio por seus serviços contra os mouros. O romance falado, então, na península era o galaico-português, uma língua fronteiriça entre o castelhano e o português falados hoje. Com a independência política de Portugal, houve uma natural diferenciação do galego para o português. Somente no século XII é que apareceram documentos totalmente escritos nesta nova língua. Importante para a divulgação do novo romance foi o rei poeta de Portugal, D. Denis.


COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática histórica. 7.ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1996. p. 46-57.

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